O ato de comer e a comensalidade

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Em reality shows de culinária, é possível visível que a culinária é uma arte. Essa definição é tanto apresentada por jurados, quanto pelos participantes, mas também é visível nas preparações e apresentações dos pratos. Como uma arte, ela exige respeito.

Atualmente se dá pouca importância para o ato de comer. Senta-se à mesa – isso é, quando senta-se à mesa -, come-se enquanto assiste TV ou usa o celular e o passo final é jogar a louça suja na pia para lavar depois ou deixar que outra pessoa lave. Há, claro, exceções, mas essa cena é mais comum do que deveria ser.

No Instagram da Hortie (@hortie_sp) já publicamos algumas vezes dicas e alertas. Lá já falamos um pouco sobre o movimento Slow Food e sobre a necessidade de deixar celulares, tablets e computadores longe da mesa onde se faz a refeição. Aqui no blog da Hortie, agora, vamos falar um pouco mais sobre esse ato tão importante e, infelizmente, tão negligenciado por nossa vida moderna e corrida.

O conteúdo abaixo faz parte do “Guia Alimentar para a População Brasileira”, uma publicação do Ministério da Saúde, da Secretaria de Atenção à Saúde e do Departamento de Atenção Básica. O Guia fornece várias informações e dicas muito importantes com o objetivo de melhorar o atual cenário brasileiro de alimentação.

Veja as três orientações importantes para se alimentar melhor e algumas dicas de como colocar essas ações em prática.

Comer com regularidade e com atenção

Procure fazer suas refeições diárias em horários semelhantes. Evite “beliscar” nos intervalos entre as refeições. Coma sempre devagar e desfrute o que está comendo, sem se envolver em outra atividade.

Refeições feitas em horários semelhantes todos os dias e consumidas com atenção e sem pressa favorecem a digestão dos alimentos e também evitam que se coma mais do que o necessário. Os mecanismos biológicos que regulam nosso apetite são complexos, dependem de vários estímulos e levam certo tempo até sinalizarem que já comemos o suficiente. Em outras palavras, comer de forma regular, devagar e com atenção é uma boa maneira de controlar naturalmente o quanto comemos.

Mastigue!

Quando mastigamos mais vezes os alimentos, naturalmente, aumentamos nossa concentração no ato de comer e prolongamos sua duração. Assim fazendo, também usufruímos de todo o prazer proporcionado pelos diferentes sabores e texturas dos alimentos e de suas preparações culinárias.

Uma entrada apropriada

Optar por uma salada ou por uma sopa ou caldo antes do prato principal é outra maneira de conceder a nosso organismo o tempo necessário para que os alimentos sejam mais bem aproveitados e para que não se coma mais que o necessário.

Comer em ambientes apropriados

Procure comer sempre em locais limpos, confortáveis e tranquilos e onde não haja estímulos para o consumo de quantidades ilimitadas de alimentos.

As características do ambiente onde comemos influenciam a quantidade de alimentos que ingerimos e o prazer que podemos desfrutar da alimentação. Cheiros, sons, iluminação, conforto, condições de limpeza e outras características do lugar são importantes. Confira algumas dicas para escolher o ambiente adequado:

Desligue tudo, menos a luz

Telefones celulares sobre a mesa e aparelhos de televisão ligados devem ser evitados.

Coma só na “mesa de jantar”

É importante evitar comer na mesa de trabalho, comer em pé ou andando ou comer dentro de carros ou de transportes públicos.

Sirva-se apenas uma vez

As pessoas tendem a comer mais que o necessário quando estão diante de grandes quantidades de alimentos ou quando há oferta de grandes porções. Boa providência para evitar comer demais é servir-se apenas uma vez ou, pelo menos, aguardar algum tempo para se servir uma segunda vez. Frequentemente, a segunda porção excede às nossas necessidades. Ao comer fora de casa, lugares como bufês ou aqueles onde se oferecem segundas ou terceiras porções sem custo devem ser limitados a ocasiões especiais.

Fora de casa? Vá no self-service!

Restaurantes onde se paga pela quantidade (peso) da comida selecionada pelo cliente, conhecidos como restaurantes de comida a quilo, oferecem grande variedade de alimentos preparados na hora e são melhores alternativas para o dia a dia.

Evite fast-foods

Os chamados restaurantes fast-food (comida rápida) são lugares particularmente inapropriados para comer. Além de oferecerem pouca ou nenhuma opção de alimentos in natura ou minimamente processados, são em geral muito barulhentos e pouco confortáveis, onde somos levados a comer muito rapidamente e, comumente, em quantidade excessiva.

 

Comer em companhia

Sempre que possível, prefira comer em companhia, com familiares, amigos ou colegas de trabalho ou escola. Procure compartilhar também as atividades domésticas que antecedem ou sucedem o consumo das refeições.

Seres humanos são seres sociais e o hábito de comer em companhia está impregnado em nossa história, assim como a divisão da responsabilidade por encontrar ou adquirir, preparar e cozinhar alimentos. Compartilhar o comer e as atividades envolvidas neste ato é um modo simples e profundo de criar e desenvolver relações entre pessoas. Dessa forma, comer é parte natural da vida social.

Comer junto é comer melhor

Refeições feitas em companhia evitam que se coma rapidamente. Também favorecem ambientes de comer mais adequados, pois refeições compartilhadas demandam mesas e utensílios apropriados. Compartilhar com outra pessoa o prazer que sentimos quando apreciamos uma receita favorita redobra este prazer.

“Vai Time!” ou melhor, “Vai Família!”

Em casa, ainda melhor do que apenas comer em companhia, é compartilhar parte ou todas as atividades que precedem e sucedem o consumo das refeições, incluindo o planejamento do que se irá comer, a aquisição dos alimentos, a preparação das refeições e as atividades de limpeza necessárias para que as próximas refeições possam ser preparadas, servidas e apreciadas.

Dando bons exemplos

O envolvimento de crianças e adolescentes na compra de alimentos e no preparo de refeições permite que eles conheçam novos alimentos e novas formas de prepará-los e que saibam mais sobre de onde eles vêm e como são produzidos. A aquisição de bons hábitos de alimentação e a valorização do compartilhamento de responsabilidades são outros benefícios do envolvimento de crianças e adolescentes com as atividades relacionadas à preparação de refeições.

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